A adolescência é um período de transformações importantes. A forma de pensar muda, as relações ganham novos significados, aumenta a necessidade de autonomia e começam a surgir escolhas que antes pertenciam principalmente aos adultos.
Ao mesmo tempo, existe a necessidade de pertencer, lidar com expectativas, construir uma identidade própria e descobrir quem se é para além da família, da escola e daquilo que os outros esperam.
Nem sempre é simples organizar tudo isso.
A psicoterapia pode oferecer um espaço seguro para o adolescente compreender melhor o que sente, reconhecer seus próprios padrões e desenvolver recursos para atravessar essa fase com maior autonomia e maturidade emocional.
Quando alguma coisa parece não estar bem
Nem todo adolescente consegue explicar claramente o que está acontecendo.
Às vezes, o sofrimento aparece como ansiedade, irritabilidade, isolamento, mudanças de comportamento, queda na autoestima, autocrítica, impulsividade ou dificuldade para lidar com frustrações.
Em outros momentos, pode surgir uma sensação de não pertencer, conflitos frequentes com a família, dificuldades nos relacionamentos, insegurança sobre o futuro ou a impressão de não saber exatamente quem se é ou para onde está indo.
A terapia oferece um espaço para começar a compreender essas experiências sem reduzir o adolescente a um comportamento, problema ou diagnóstico.
Identidade, pertencimento e a descoberta de quem se é
Uma das grandes tarefas da adolescência é começar a construir uma identidade mais própria.
Isso envolve experimentar ideias, grupos, relações, interesses, valores e maneiras diferentes de se posicionar no mundo.
Também envolve comparação.
Comparação com amigos, colegas, pessoas nas redes sociais e expectativas sobre aparência, desempenho, popularidade, relacionamentos e futuro.
Na psicoterapia, o adolescente pode começar a diferenciar aquilo que realmente importa para ele daquilo que sente que precisa ser para corresponder às expectativas dos outros.
Ansiedade e preocupação com o futuro
Escola, vestibular, faculdade, profissão, desempenho, relacionamentos e decisões sobre o futuro podem ocupar muito espaço mental.
Para alguns adolescentes, essa preocupação se transforma em ansiedade intensa, medo de errar, perfeccionismo, procrastinação ou dificuldade para tomar decisões.
Nem sempre o objetivo é eliminar a incerteza — porque muitas respostas ainda estão sendo construídas.
O trabalho terapêutico também envolve aprender a conviver melhor com aquilo que ainda não pode ser definido e desenvolver recursos para fazer escolhas mesmo quando não existe certeza absoluta.
Autoestima e autocrítica
A adolescência pode intensificar a percepção sobre o próprio corpo, personalidade, desempenho e aceitação social.
Pequenas dificuldades podem ganhar proporções muito maiores quando existe uma relação marcada por comparação constante e autocrítica.
Pensamentos como “não sou bom o suficiente”, “todo mundo consegue menos eu” ou “tem alguma coisa errada comigo” podem começar a influenciar escolhas, relações e comportamentos.
Na terapia, trabalhamos para compreender esses padrões e desenvolver uma relação mais flexível com pensamentos e emoções, sem permitir que eles determinem automaticamente a forma como o adolescente se enxerga ou conduz sua vida.
Emoções intensas, impulsividade e regulação emocional
Durante a adolescência, algumas emoções podem parecer difíceis de compreender ou controlar.
Raiva, tristeza, ansiedade, frustração, vergonha e medo podem surgir com intensidade e levar a respostas impulsivas, conflitos ou comportamentos dos quais o adolescente se arrepende depois.
A psicoterapia pode ajudar a reconhecer emoções, compreender o que acontece antes e depois dessas reações e desenvolver maneiras mais funcionais de responder a situações difíceis.
Regulação emocional não significa deixar de sentir. Significa ampliar a capacidade de compreender o que se sente e escolher como agir diante disso.
Família, limites e autonomia
Conflitos familiares podem aumentar durante a adolescência justamente porque existe um movimento natural em direção à autonomia.
O adolescente começa a querer tomar suas próprias decisões, enquanto pais e responsáveis continuam tendo a responsabilidade de estabelecer limites e oferecer proteção.
Essa negociação nem sempre acontece de maneira tranquila.
A terapia pode ajudar o adolescente a compreender suas necessidades, comunicar-se melhor, desenvolver responsabilidade sobre suas escolhas e construir autonomia de maneira progressiva.
Amizades, relacionamentos e pertencimento
As relações sociais assumem uma importância muito grande nessa fase.
Amizades, primeiros relacionamentos amorosos, rejeições, conflitos, términos, necessidade de aprovação e medo de ficar de fora podem ter impacto significativo sobre o bem-estar emocional.
A psicoterapia oferece espaço para compreender essas relações, reconhecer padrões, desenvolver limites e construir formas mais saudáveis de se relacionar consigo e com os outros.
O adolescente não precisa estar em crise para fazer terapia
A psicoterapia também pode ser procurada quando não existe um problema específico.
Pode ser um espaço para desenvolver autoconhecimento, compreender emoções, fortalecer autonomia, reconhecer valores e aprender a tomar decisões com maior consciência.
A adolescência é justamente uma fase em que muitas referências estão sendo construídas.
Ter um espaço próprio para pensar sobre si pode contribuir para que esse processo aconteça com maior clareza e maturidade.
Como trabalho com adolescentes
Minha abordagem de base é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), integrada a recursos da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e da Terapia Comportamental Dialética (DBT).
A TCC ajuda a compreender relações entre pensamentos, emoções e comportamentos. A ACT acrescenta recursos relacionados à flexibilidade psicológica, aceitação e construção de uma vida orientada por valores. A DBT contribui especialmente para o desenvolvimento de habilidades de regulação emocional, manejo de emoções intensas, impulsividade e relações interpessoais.
Essas abordagens são utilizadas de maneira integrada e personalizada, considerando a história, o contexto, as necessidades e o momento de cada adolescente.
Questões que podem ser trabalhadas na psicoterapia
Ansiedade, depressão, baixa autoestima, autocrítica excessiva, desregulação emocional, impulsividade, conflitos familiares, dificuldades nos relacionamentos, pertencimento, insegurança, dificuldade para tomar decisões, pressão escolar, dúvidas sobre o futuro, sensação de vazio, falta de propósito, autoconhecimento, autonomia e amadurecimento emocional.
Psicoterapia presencial no Rio de Janeiro e terapia online
Realizo atendimento presencial em Copacabana, na Rua Siqueira Campos, 43, Rio de Janeiro, e psicoterapia online.
Cada processo é construído considerando as necessidades e particularidades do adolescente, oferecendo um espaço de escuta, compreensão e desenvolvimento sem infantilizá-lo ou desconsiderar a fase de vida que está atravessando.
Crescer também envolve aprender a compreender a si mesmo
A adolescência não precisa ser tratada como um problema a ser resolvido.
É uma fase de construção.
A psicoterapia pode ajudar o adolescente a atravessar esse processo compreendendo melhor suas emoções, pensamentos, relações e escolhas, enquanto desenvolve recursos que poderão acompanhá-lo também na vida adulta.
Para saber mais sobre o atendimento ou agendar uma primeira sessão, entre em contato.